Saúde Oral

Retração Gengival: Causas, Tratamento e Preços em Portugal (2026)

Por Fada do Dente

A retração gengival — o recuo do tecido das gengivas que deixa a raiz do dente exposta — é uma das alterações orais mais comuns e, ao mesmo tempo, mais ignoradas em Portugal. Muitas pessoas só lhe dão atenção quando os dentes começam a parecer "maiores", quando surge sensibilidade ao frio ou quando aparece um pequeno entalhe junto à gengiva. Neste guia explicamos o que é a retração gengival, porque acontece, como se diagnostica, como se trata e quanto custa, com dados reais das clínicas listadas no Fada do Dente.

O que é a retração gengival?

A retração gengival (ou recessão gengival) é a perda progressiva de tecido gengival que normalmente cobre a base do dente. À medida que a gengiva recua, expõe parte da raiz, que não tem esmalte protetor. O resultado é uma combinação de problemas estéticos e funcionais:

  • Dentes que parecem mais compridos do que o normal;
  • Sensibilidade ao frio, ao calor e ao doce;
  • Um pequeno "degrau" ou entalhe percetível com a língua junto à linha da gengiva;
  • Maior risco de cáries na raiz, que é mais frágil que a coroa;
  • Espaços negros entre os dentes ("triângulos pretos");
  • Em casos avançados, mobilidade dentária.

Ao contrário do que muita gente pensa, a gengiva não volta a crescer sozinha. Uma vez perdido, o tecido só se recupera com intervenção. Por isso, identificar a causa cedo é fundamental para travar a progressão e evitar tratamentos mais invasivos no futuro.

Graus de gravidade

Os dentistas costumam classificar a recessão por estádios, o que ajuda a definir o tratamento e a prever resultados:

  • Ligeira (1 a 2 mm): normalmente só causa sensibilidade e preocupação estética. Reversível em termos de progressão se a causa for controlada;
  • Moderada (3 a 4 mm): a raiz já está claramente exposta e há risco de cárie radicular;
  • Severa (mais de 4 mm): frequentemente associada a perda óssea e mobilidade; pode exigir cirurgia.

Sistemas como a classificação de Miller ou de Cairo são usados pelos especialistas para categorizar cada caso e estimar a probabilidade de cobrir totalmente a raiz com um enxerto.

Principais causas

A retração gengival raramente tem uma única causa. Na maioria dos casos resulta da combinação de vários fatores:

1. Escovagem agressiva

É, talvez, a causa mais subestimada. Escovar com força excessiva, com movimentos horizontais de "serra" ou com uma escova de cerdas duras desgasta tanto o esmalte como a gengiva. Ironicamente, são muitas vezes as pessoas mais cuidadosas com a higiene que sofrem deste problema. A solução passa por uma escova de cerdas macias, pouca pressão e a técnica correta.

2. Doença periodontal

A gengivite não tratada evolui para periodontite, que destrói o osso e o tecido de suporte do dente. Esta é uma das causas mais graves de retração, porque afeta a estrutura que segura o dente. Se notar gengivas vermelhas, inchadas ou que sangram, consulte o nosso guia sobre gengivite e periodontite.

3. Bruxismo e más oclusões

Apertar ou ranger os dentes (bruxismo) e mordidas desalinhadas geram forças que sobrecarregam zonas específicas do dente e aceleram a retração. Nestes casos, tratar apenas a gengiva sem corrigir a força aplicada leva à recidiva.

4. Outros fatores

  • Tabaco: reduz a irrigação das gengivas, agrava a doença periodontal e dificulta a cicatrização após cirurgia;
  • Acumulação de tártaro: empurra mecanicamente a gengiva — daí a importância da destartarização regular;
  • Piercings orais na língua ou lábio, que roçam constantemente na gengiva;
  • Predisposição genética e gengiva naturalmente fina (biótipo gengival fino);
  • Aparelhos ortodônticos mal ajustados ou movimentos dentários demasiado rápidos;
  • Alterações hormonais, sobretudo na gravidez, que tornam as gengivas mais frágeis.

Como se diagnostica

O diagnóstico é feito por um médico dentista ou periodontologista através de:

  • Medição da recessão: com uma sonda periodontal, mede-se quantos milímetros de raiz estão expostos;
  • Avaliação da bolsa periodontal: para perceber se há doença das gengivas associada;
  • Radiografias: avaliam a perda óssea de suporte;
  • Avaliação do biótipo gengival: gengivas finas têm maior tendência a recuar e respondem de forma diferente ao tratamento;
  • Classificação de Miller ou Cairo: sistemas que categorizam a gravidade e ajudam a prever o sucesso do tratamento.

A especialidade indicada para tratar a retração gengival é a periodontia. No diretório do Fada do Dente existem 694 clínicas com periodontia, distribuídas por todo o país — incluindo 112 no Porto, 108 em Lisboa, 60 em Faro, 58 em Aveiro, 57 em Setúbal, 54 em Braga e 44 em Leiria. Pode filtrar por distrito e concelho para encontrar uma clínica perto de si.

Tratamentos disponíveis

O tratamento depende da causa e da gravidade. O primeiro passo é sempre eliminar o fator que está a provocar a retração — caso contrário, qualquer correção terá vida curta.

Tratamentos não-cirúrgicos

  • Correção da técnica de escovagem e troca para escova macia;
  • Destartarização e alisamento radicular (limpeza profunda da raiz) quando há doença periodontal;
  • Goteira de bruxismo para quem range ou aperta os dentes;
  • Tratamento da sensibilidade com pastas dessensibilizantes ou vernizes de flúor — saiba mais no guia sobre sensibilidade dentária;
  • Restaurações com resina composta para cobrir entalhes na raiz e reduzir a sensibilidade.

Tratamentos cirúrgicos

Quando a recessão é significativa, estética ou continua a progredir, pode recorrer-se à cirurgia plástica periodontal:

  • Enxerto de tecido conjuntivo: a técnica mais usada e com melhores resultados; retira-se tecido do palato (céu da boca) e cobre-se a raiz exposta;
  • Enxerto gengival livre: aumenta a faixa de gengiva aderente, indicado em certos casos;
  • Técnica de túnel e matriz dérmica acelular: alternativas modernas e menos invasivas, que evitam retirar tecido do palato;
  • Regeneração com proteínas derivadas da matriz do esmalte, em casos selecionados.

A taxa de sucesso dos enxertos é elevada (frequentemente acima dos 80% de cobertura radicular) quando a causa foi controlada, mas exige um período de cicatrização de algumas semanas e cuidados pós-operatórios rigorosos: evitar escovar a zona operada nos primeiros dias, não fumar e seguir as indicações do periodontologista.

Quanto custa tratar a retração gengival em Portugal?

Os preços variam consoante a clínica, a região e a complexidade do caso. Como referência para 2026:

  • Consulta de avaliação periodontal: 30€ a 60€ (muitas vezes incluída na primeira consulta);
  • Destartarização / alisamento radicular: 40€ a 90€ por sessão (por quadrante, no caso do alisamento profundo);
  • Goteira de bruxismo: 80€ a 200€;
  • Restauração de uma raiz com resina: 40€ a 90€ por dente;
  • Enxerto gengival (cirurgia plástica periodontal): 250€ a 600€ por dente, podendo ser mais elevado em casos múltiplos ou que usem matrizes dérmicas.

Estes valores são indicativos. Recomendamos sempre pedir um orçamento detalhado e comparar várias clínicas. Muitas das clínicas listadas no Fada do Dente trabalham com seguros e planos de saúde como ADSE, Medis, Multicare ou AdvanceCare, o que pode reduzir significativamente o custo final. Veja o nosso guia sobre seguros dentários em Portugal.

Como prevenir

A boa notícia é que grande parte das retrações é evitável. Para proteger as gengivas:

  • Use uma escova de cerdas macias e troque-a a cada 3 meses;
  • Escove com movimentos suaves e circulares, nunca à "serra", e sem apertar;
  • Use fio dentário ou escovilhão diariamente;
  • Faça uma limpeza profissional a cada 6 a 12 meses;
  • Não fume;
  • Se range os dentes, fale com o dentista sobre uma goteira;
  • Vá ao dentista ao primeiro sinal de gengivas que sangram ou recuam.

Perguntas frequentes

A gengiva volta a crescer?

Não. A gengiva perdida não se regenera naturalmente. É possível recuperar tecido através de enxertos cirúrgicos, mas o objetivo principal de qualquer tratamento é impedir que a recessão continue.

A retração gengival dói?

O recuo em si costuma ser indolor. O desconforto vem sobretudo da sensibilidade da raiz exposta a estímulos frios, quentes ou doces, e da eventual inflamação associada.

Posso usar pasta para gengivas retraídas?

As pastas dessensibilizantes ajudam a controlar a sensibilidade, mas não revertem a retração nem tratam a causa. São um complemento, não uma solução.

O enxerto gengival é doloroso?

A cirurgia é feita com anestesia local e a maioria dos doentes descreve um desconforto moderado no pós-operatório, controlável com analgésicos. A zona dadora (palato) costuma ser a mais sensível nos primeiros dias.

Quando procurar um dentista com urgência

A retração gengival raramente é uma emergência, mas deve marcar consulta sem demora se notar dor intensa, abcessos, mobilidade dentária acentuada ou sangramento abundante e persistente. Nestes casos, pode consultar a nossa página de urgências dentárias por distrito ou o guia o que fazer numa urgência dentária.

Conclusão

A retração gengival é progressiva, mas controlável. O segredo está em identificar a causa cedo — seja escovagem agressiva, doença periodontal ou bruxismo — e agir antes que a perda de tecido se agrave. Se notar dentes a "crescer", sensibilidade ou gengivas a recuar, marque uma consulta de periodontia. Use o diretório do Fada do Dente para encontrar, perto de si, clínicas que tratam problemas das gengivas.

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